quinta-feira, 25 de abril de 2013

RELATÓRIO



* Informação preliminar e importante: o material a seguir foi retirado do  livro disponibilizado aos alunos dos cursos técnicos do Centro Paula Souza; para eles o material é dirigido, tanto nos livros como aqui neste blog. 


O relatório é um texto muito importante. Ele é bastante utilizado em contextos técnicos e sua formatação é semelhante à dos trabalhos de conclusão de curso, tema do próximo capítulo.

O relatório, como o próprio nome diz, é um relato sobre algo que já aconteceu. Nas empresas, ele também pode ser utilizado para apresentar procedimentos técnicos ou administrativos, especialmente na padronização das operações
(criando o chamado procedimento operacional padrão) que garantem a reprodução dos processos. Essa padronização é exigida pelos órgãos certificadores.

Seus objetivos também são variáveis: registrar e documentar procedimentos desenvolvidos, oferecer orientação para o futuro, relatar problemas ou atividades decorridas, entre outros. Experimentos científicos, estágios, visitas técnicas,
processos administrativos e viagens são as principais situações em que a redação de um relatório é necessária ou costuma ser solicitada.

A linguagem deve ser concisa e adequada ao objetivo. Isso pode ser facilitado com o uso da linguagem não verbal, com a apresentação de tabelas, gráficos e imagens, além da própria formatação.

Para escrever um relatório é preciso prestar atenção em algumas qualidades desse tipo de texto:
1. Fidelidade aos fatos:
• use números, tabelas e gráficos;
• detalhe as informações, tomando cuidado para o texto não ficar repetitivo.
2. Facilidade de compreensão:
• mantenha a objetividade da linguagem;
3. Coesão e coerência
4. Relevância e completude das informações apresentadas
De acordo com Passos e Santos (1998), um relatório é composto de:
a) plano inicial: determinação da origem, preparação e programa de desenvolvimento do relatório;
b) coleta e organização do material: durante a execução do trabalho, são feitos o registro, a ordenação e o arquivamento do material necessário ao desenvolvimento do relatório;
c) redação: recomenda-se uma revisão crítica do relatório considerando os seguintes aspectos: redação (conteúdo e estilo), sequência das informações, apresentação gráfica.
Dependendo do contexto no qual o relatório será produzido, suas características podem ser alteradas. A seguir, alguns tipos específicos de relatório.

Relatando uma visita técnica
O relatório de visita técnica também pode ser utilizado para relatar viagens, incidentes
ou acidentes, resultados finais de uma pesquisa etc. Para cada uma dessas
situações, poderá haver uma característica diferente, uma informação a mais ou a
menos a ser colocada no texto. O redator deve selecionar adequadamente as informações
a serem registradas e organizá-las para conferir objetividade ao relatório.

O relatório de uma visita técnica visa narrar um acontecimento, destacando:
• contexto;
• fatos ocorridos;
• observações realizadas;
• resultados ou conclusões.

Para relatar uma visita técnica, os primeiros parágrafos do texto devem apresentar sucintamente as seguintes informações:
• o que será relatado;
• onde a atividade relatada ocorreu;
• quando ocorreu;
• como ocorreu;
• por que ocorreu (com quais objetivos);
• o nome das pessoas envolvidas.
Essas são as informações essenciais que, na sequência, podem ser detalhadas. Para apresentar o relatório, é importante também colocar na capa informações que contextualizem a sua produção. Em um trabalho escolar, essas informações seriam:
• nome da escola;
• curso;
• nome do(s) aluno(s);
• título do relatório;
• local;
• data de entrega.

Num relatório de empresa também podem ser apresentadas informações semelhantes, com algumas substituições:
• nome da empresa;
• setor ou departamento;
• nome do(s) funcionário(s), acompanhado(s) ou não do cargo de cada um;
• título do relatório;
• local;
• data de elaboração.
Não há padrões fixos para a formatação de um relatório. As empresas costumam criar identidades visuais com formatação própria para documentos técnicos e, especialmente, relatórios e correspondências. Observe a seguir um exemplo de relatório.

Etec Bento Quirino
Curso: Técnico de Manutenção Eletromecânica
Aluno: Carlos Augusto Mata

RELATÓRIO DE VISITA TÉCNICA – Empresa SOTREQ

No dia 27 de novembro de 2009, realizou-se uma visita técnica dos alunos do 2o módulo do curso Técnico de Manutenção Eletromecânica, da ETEC Bento Quirino (Campinas), à Sotreq, empresa localizada no Km 111,5 da Rodovia Anhanguera, Vila Nova Veneza, no município de
Sumaré (SP), organizada pelo professor João Bento, que ministra a disciplina Motores Diesel/ Sistemas de Trem de Força.

A intenção da visita foi verificar o funcionamento de motor Diesel no dinamômetro, assunto que foi tratado em sala de aula e necessitava de complemento prático.

Fomos recebidos pelo engenheiro Carmo Neves, que nos explicou, resumidamente, o que segue: a Sotreq comercializa equipamentos para os setores de infraestrutura, mineração, agropecuária, industrial, reflorestamento e energia. A empresa destaca-se no mercado pelo apoio técnico especializado que oferece aos seus clientes por meio de técnicos qualificados. A preocupação em aumentar a produtividade dos equipamentos e em reduzir os custos operacionais surge antes mesmo do processo de venda. A Sotreq realiza estudos de seleção, dimensionamento de frotas e configuração de máquinas para que seus clientes obtenham o melhor custo-benefício do seu investimento.

Depois de conhecermos as especificidades da empresa, o engenheiro Neves nos entregou os EPIs, explicou a necessidade de usá-los e, paramentados, fomos caminhando pelo chão da fábrica, observando sua estrutura, seus equipamentos, o trabalho dos técnicos, e conduzidos até o setor de testes da empresa.

 Lá, nos explicaram todo o processo de motores no dinamômetro, e o professor João, ao mesmo tempo, reforçou as bases tecnológicas ministradas em aula, relacionando-as ao processo em questão.

Para que melhor aproveitássemos a visita, foi feito o acionamento do motor Diesel, a apresentação dos resultados dos medidores e a confrontação com as especificações do fabricante.

Para finalizar a visita, fomos assistir ao ensaio de outro motor, mais potente, além de irmos observar um sistema de transmissão em outro dinamômetro.

RESULTADOS
A visita foi muito positiva e estimulante. Percebemos a importância dos conteúdos que o professor João nos transmite em sala de aula e a relação deles com a prática na empresa. Outro resultado positivo da visita técnica está relacionado à possibilidade de contratação de alunos para iniciar estágio na empresa. Todos nós ficamos muito impressionados com o trabalho lá desenvolvido e o engenheiro Carmo disse ter percebido que o grupo era composto de alunos muito interessados e com bons conhecimentos já adquiridos.

AGRADECIMENTOS a:
– Associação de Pais e Mestres da Etec Bento Quirino, que arcou com as despesas de transporte de ida e volta dos alunos – Sotreq, que abriu suas portas e nos deu a oportunidade de ver de perto como é o trabalho de um técnico. – Professor João Bento, pela brilhante iniciativa de contatar a empresa e nos levar até lá.
– Engenheiro Carmo Neves, pela disponibilidade em nos receber, pelo estímulo e conselhos dados e pelo material que disponibilizou a todos nós, como catálogos e manuais.





FONTE:  MEGID, C. M.,  CAMPANA, S. B. NÚCLEO BÁSICO- Linguagem, Trabalho e Tecnologia.  São Paulo: Fundação Padre Anchieta, 2011

RESUMO


 

Para escrever um bom resumo:
    Identificar na PRIMEIRA LEITURA:
Ø   O gênero do texto original
Ø  O tema
Ø  O meio de circulação (site, jornal)
Ø  A data de publicação (e acesso, no caso de meios eletrônicos).

Na SEGUNDA LEITURA, reconhecer (pode ser por meio de fichamento, por uso de destaca texto)
Ø  A questão discutida;
Ø  Em caso de textos argumentativos, a tese defendida pelo autor do texto original;
Ø  Quando houver, a tese que o autor refuta(rejeita);
Ø  Os argumentos que o autor do texto original utiliza para embasar a tese que defende;
Ø  Quando houver, os argumentos que o autor do texto original utiliza para embasar a tese que rejeita;
Ø  A conclusão do autor.
Np RESUMO  é preciso ter cuidado:
Ø  Com a correção gramatical;
Ø  A seleção das informações realmente relevantes;
Ø  A identificação do texto – pelo menos título e autor –;
Ø  A menção do autor em diferentes partes do texto e de  diferentes formas ao longo do texto (Fulano de tal, de Tal, o cientista);
Ø  A menção de diferentes ações do autor (diz, discute, apresenta);
Ø  O TEXTO TEM QUE SER COMPREENSÍVEL POR SI MESMO.
Ø  OBS: o resumo acadêmico/ escolar deve ser escrito em um só parágrafo.








Fonte: MACHADO, A. R.; LOUSADA, E. G.; ABREU-TARDELLI, L.S. Resumo São Paulo: Parábola, 2004

domingo, 10 de março de 2013


  

MODALIZAÇÃO
fado= gênero musical típico de Portugal repleto de sentimento

O QUE É? 
“Modalização é o fenômeno pelo qual o sujeito expressa sua adesão ao texto. Através da modalização é possível perceber qual a atitude do locutor na defesa do que pretende. Assim, é possível perceber se ele crê no que diz, se atenua ou impõe algo que diz. Na verdade, é a expressão de um ponto de vista. Portanto, como pode haver um texto sem modalização?
     A resposta é muito simples. Simplesmente não há texto sem modalização. Essa pode sim ser mais explícita ou mais discreta.” 

(in letrasmara.blogspot.com)


     “O enunciador marca sua presença no enunciado pelas marcas de modalização” (LIMA, 2010). Essas ‘marcas’ servem como pistas e indicações das atitudes, opiniões e pontos de vista do falante/ redator a respeito do que está dizendo/escrevendo. “[...] a modalização contribui para oferecer ao leitor um direcionamento argumentativo” (idem).

Ou seja, sempre que alguém diz algo, deixa uma pista do que pensa, mesmo que se esforce para ser neutro.

Lembrem-se do exemplo da aula:

Guará vence Cruzeiro com pênalti polêmico.
No exemplo, basta o adjetivo ‘polêmico’ para revelar que o redator não vê a vitória do Guará com bons olhos; ele insinua que a vitória foi, digamos, ilícita.

Ou
Cientistas tentam driblar malária resistente (Folha de S. Paulo, 10/03/2013).
A forma verbal ‘tentam’ – ainda que no presente do indicativo – sugere incerteza; já o verbo driblar (no infinitivo) carrega a ideia de enganar (o adversário).  Portanto o redator dá pistas de que os cientistas ainda não conseguiram, ainda não têm certeza do resultado de suas pesquisas.


Portanto, no texto (falado ou escrito) percebemos a presença dos modalizadores pelos elementos linguísticos que os expressam.  

No fim das contas são eles que servem, na prática, para indicar as intenções, sentimentos e atitudes do emissor com relação ao que diz.

1. Tipos de modalizadores:
 a) Crença (certeza/ probabilidade); · crer – eu acho, é possível. 
   Ex.: Provavelmente virei.

b) Conhecimento – eu sei, é certo        Ex.:  Viajarei na próxima semana.

c) Conduta (obrigatoriedade/ permissibilidade).  Proibição:
Ex.: Não se deve estacionar na faixa amarela.

d) Obrigatoriedade:  Ex.: Você precisa se alimentar melhor.

2. Recursos linguísticos para a expressão da modalização:
· modos e tempos verbais;
· advérbios: talvez, felizmente, infelizmente, lamentavelmente, certamente...;
· predicados cristalizados: é certo, é preciso, é necessário;
· performativos explícitos: eu ordeno, eu proíbo, eu permito...;
· verbos auxiliares: poder, dever, ter que/ de, haver de, precisar de...;
· verbos de atitude proposicional: eu creio, eu sei, eu duvido, eu acho...


FONTES:
 LIMA,  Eliane Mello, MODALIZAÇÃO E SUBJETIVIDADE EM EDITORIAIS: ESTRATÉGIAS PERSUASIVAS DA ENUNCIAÇÃO (com adaptações)
disponível em: http://www.letras.ufrj.br/posverna/mestrado/limaem.pdf  acessado em 09/03/2013
http://letrasmara.blogspot.com.br/2005/06/modalizao.html (com adaptações) acessado em 09/03/2013

domingo, 3 de março de 2013

REGRAS DE ACENTUAÇÃO GRÁFICA



 

Em Língua Portuguesa a tonicidade (e a acentuação gráfica) em uma das três últimas sílabas da palavra.

     ·         Proparoxítonas: a tônica recai na antepenúltima sílaba. Ex.: Música; Lírico, Ônibus
·         Paroxítonas são aquelas em que a sílaba tônica é a penúltima. Ex.: Mesa, amarelo, débil
Acentuam-se as paroxítonas terminadas em:
l
fácil
ATENÇÃO!!!!
n
Pólen
·  São acentuadas  as paroxítonas terminadas em "n"  (hífen), mas as que terminam em "ens", não. (hifens, jovens)
r
cadáver
·  Não são acentuados os prefixos terminados em "i "e "r". (semi, super)

ps
bíceps
·        São acentuadas as terminadas em ditongos crescentes: ea(s), oa(s), eo(s), ua(s), ia(s), ue(s), ie(s), uo(s),io(s).
Ex.:    água,  cárie, início, mágoa, tênue
x
tórax

us
vírus

i, is
júri, lápis

om, ons
iândom, íons

um, uns
álbum, álbuns

ã(s), ão(s)
órfã, órfãs, órfão, órfãos

ditongo oral (seguido ou não de s)
jóquei, túneis



Oxítonas são as palavras cuja tônica localiza-se na última sílaba.
Ex. azul, nariz, bocó, Guaratinguetá
Acentuam-se as oxítonas terminadas em:
a(s):
sofá, sofás
e(s):
jacaré, vocês
o(s):
paletó, avós
em, ens:
ninguém, armazéns

Monossílabos _ podem ser tônicos ou átonos.
Monossílabos Átonos  Não possuem autonomia fonética, são palavras vazias de sentido quando estão desacompanhadas (artigos, pronomes oblíquos, elementos de ligação preposições, conjunções), no entanto participam da construção de sentido das palavras em que se apoiam.
Ex.: ‘de’ (preposição)– pé de ferro; ‘o’ (artigo) – o nariz; ‘a’ (pronome) beijar + a beijá-la.
O acento diferencial é usado para diferenciar duas palavrashomógrafas, quer dizer, que possuem a 

mesma grafia.Conforme o Novo Acordo Ortográfico, esse acento ocorre em apenas quatro casos: dois obrigatórios e dois facultativos.

Obrigatórios:
▸pode (verbo no Presente) - Você não pode fazer isso!▸pôde (verbo no Passado/Pretérito Perfeito) - Ele não pôde vir à aula ontem.
▸por (preposição) - Passe por aqui, por favor.▸pôr (verbo) - Você pode pôr sua bolsa aqui.

Facultativos (normalmente são usados para garantir a clarezado texto):
▸forma (substantivo) - Não gostei da forma como você falou.▸fôrma (utensílio de cozinha) - Tire o bolo da fôrma, com cuidado. Preste atenção à forma da fôrma do bolo.▸demos (Presente ou Passado/Pretérito Perfeito) - Nós já demos nossa contribuição à comunidade.
▸dêmos (verbo no Futuro do Subjuntivo) - Que nós dêmos todo o nosso empenho nesse projeto. (Que nós possamos dar todo o nosso empenho...)


Fontes: http://edleuzateles.blogspot.com.br/2010/10/acentuacao-grafica-acento-diferencial.html

PARA AS TURMAS DOS CURSOS TÉCNICOS



Queridos meus:

Por favor, enviem só as respostas/gabaritos até terça-feira os que têm aula de LTT na quarta; os demais podem enviar até quarta-feira, que corrigirei na quinta de manhã.  

beijos
 ProfªAna


Exercícios:


1. Assinale o item em que todas as palavras são acentuadas pela mesma regra de: também, incrível e caráter.
a) têm, inverossímil, tórax 
b) hífen, ninguém, possível 
c) alguém, anéis, éter 
d) há, impossível, crítico 
e) pólen, magnólias, nós


2. Assinale a alternativa em que apenas um vocábulo não deve ser acentuado:
a) bau, orfão, taxi, balaustre 
b) itens, parabens, alguem, tambem 
c) tactil, amago, cortex, do (pena, piedade) 
d) papeis, onix, bau, ambar 
e) hifen, cipos, leem, pe (membro inferior do corpo humano)

3.. "À luz de seu magnífico ______ -de-sol ______ parece uma cidade ______ .
a) por, Itaguaí, tranquila 
b) pôr, Itaguaí, tranquila
c) por, Itaguaí, tranqüila 
d) pôr, Itaguaí, tranqüila 
e) por, Itaguai, tranqila 

4.Todas as palavras devem ser acentuadas na alternativa:
a) pudico, pegada, rubrica 
b) gratuito, avaro, policromo 
c) abdomen, itens, harem 
d) magoo, perdoe, ecoa 
e)
lirico, saude, compra-lo

5.Num dos itens abaixo, a acentuação gráfica não está devidamente justificada. Assinale este item:
a) círculo: vocábulo paroxítono 
b) além: vocábulo oxítono terminado em -em 
c) órgão: vocábulo paroxítono terminado em -ão 
d) dócil: vocábulo paroxítono terminado em -l 
e) 
pó: monossílabo tônico terminado em -o

A GENTE LÊ POR PRAZER:

  Pra dar um pouco de cor e perfume a esse blog  aí vão alguns poemas de um paranaense dos bons:
Paulo Leminski.
 Aliás é bom que se diga que a escolha deste poeta foi de um colega de vocês.
Breve biografia:
Paulo Leminski nasceu aos 24 de agosto de 1944 na cidade de Curitiba, Paraná. Em 1964, já em São Paulo, SP, publica poemas na revista "Invenção", porta voz da poesia concreta paulista. Casa-se, em 1968, com a poeta Alice Ruiz. [...] De 1970 a 1989, em Curitiba, trabalha como redator de publicidade. Compositor, tem suas canções gravadas por Caetano Veloso e pelo conjunto "A Cor do Som". [...]  No dia 07 de junho de 1989 o poeta falece em sua cidade natal. 

Leminski foi um estudioso da língua e cultura japonesas e publicou em 1983 uma biografia de Bashô. Sua obra tem exercido marcante influência em todos os movimentos poéticos dos últimos 20 anos. Seu livro "Metamorfose" foi o ganhador do Prêmio Jabuti de Poesia, em 1995. Em 2001, um de seus poemas ("Sintonia para pressa e presságio") foi selecionado por Ítalo Moriconi e incluído no livro "Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século", Editora Objetiva — Rio de Janeir
                                                                                    fonte: http://www.releituras.com/pleminski



vendavaldasletras.wordpress.com




Não discuto

não discuto 
com o destino 
o que pintar 
eu assino 


Ali
  
ali
só
ali
se se alice
ali se visse
quanto alice viu
e não disse se ali 
ali se dissesse
quanta palavra 
veio e não desce ali
bem ali
dentro da alice
só alice
com alice
ali se parece.



nunca cometo o mesmo erro duas veze
 já cometo duas
 três
quatro
cinco
seis
até esse erro aprender que só o erro tem vez.



Uma poesia ártica,
claro, é isso que eu desejo.
Uma prática pálida,
três versos de gelo.
Uma frase-superfície
onde vida-frase alguma
não seja mais possível.
Frase, não, Nenhuma.
Uma lira nula,
reduzida ao puro mínimo,
um piscar do espírito,
a única coisa única.
Mas falo. E, ao falar, provoco
nuvens de equívocos
(ou enxame de monólogos?)
Sim, inverno, estamos vivos.

Acordei Bemol

Acordei bemol
tudo estava sustenido sol fazia
só não fazia sentido.


Fonte: 
pauloleminskipoemas.blogspot.com/