domingo, 29 de julho de 2012

Só pro 2º C


D. FLOR E SEUS DOIS MARIDOS     -       VELÓRIO DE VADINHO
     Era domingo de carnaval, quem não tinha naquela noite corso de automóveis a fazer, festa  onde divertir-se, programa para a madrugada? Pois bem: com tudo isso, o velório de Vadinho foi       um sucesso. "Um autêntico sucesso", como orgulhosamente constatou e proclamou Dona  Norma.
     Os homens do rabecão largaram o corpo em cima da cama, no quarto de dormir, só depois os  vizinhos o transportaram para a sala. Os tipos do necrotério estavam apressados, seu trabalho aumentava com o carnaval. Enquanto os demais se divertiam, eles lidavam com defuntos, com as vítimas de desastres e de brigas. Arrancaram o lençol imundo a embrulhar o cadáver, entregaram o laudo à viúva.
     Vadinho ficou nu como Deus o pôs no mundo, em cima da cama de casal, uma cama de ferro com cabeceira e pés trabalhados, comprada em segunda mão por Dona Flor, num leilão de móveis, quando do casamento, seis anos antes. Dona Flor, sozinha no quarto, abriu o envelope, estudou o parecer dos médicos. Balançou a cabeça, incrédula. Quem diria? Aparentemente tão forte e são, tão moço ainda!
Gabava-se Vadinho de jamais ter estado doente e de ser capaz de atravessar oito dias e oito noites sem dormir, jogando e bebendo ou na farra com mulheres. E por vezes não passava realmente oito dias sem aparecer em casa, deixando Dona Flor em desespero, como maluca? No entanto, ali estava o laudo dos doutores da Faculdade: era um homem condenado, fígado imprestável, rins estrompados, coração aos pandarecos. Podia morrer a qualquer momento, como morrera. Assim, de repente. A cachaça, as noites nos cassinos, a esbórnia, a correria doida à cata de dinheiro para o jogo haviam arruinado aquele organismo belo e forte, deixando-lhe apenas a aparência. Sim, porque, olhando-o só pelo lado de fora, quem o julgaria tão implacavelmente liquidado? Dona Flor contemplou o corpo do marido, antes  de chamar os prestimosos e impacientes
Dona Flor contemplou o corpo do marido, antes  de chamar os prestimosos e impacientes vizinhos para a delicada tarefa de vesti-lo. Lá estava ele, nu como gostava de ficar na cama, uma penugem doirada a cobrir-lhe braços e pernas, mata  de pelos loiros no peito, a cicatriz da navalhada no ombro esquerdo. Tão belo e másculo, tão sábio no prazer! Mais uma vez as lágrimas assomaram aos olhos da jovem viúva. Tentou não pensar no que estava pensando, não era coisa para dia de velório.
[....]  4O corpo de Vadinho foi depositado no caixão, levado para a sala de visitas onde haviam improvisado um estrado com as cadeiras. Seu Vivaldo trouxera flores, contribuição gratuita da funerária. Dona Gisa arrumou uma saudade roxa entre os dedos cruzados de Vadinho. Seu Vivaldo considerou para si mesmo o absurdo do gesto: deviam colocar entre os dedos do morto uma ficha de jogo, isso sim. Uma ficha em vez da saudade roxa, e se em lugar da música e dos risos do carnaval se elevassem por ali perto o ruído das mesas da roleta, a voz rouquenha do crupiê, o soar das fichas, as nervosas exclamações  dos jogadores, era bem possível ver-se Vadinho levantar do caixão, sacudir dos ombros sua  morte, como sacudia, num gesto característico, as complicações a perseguirem-no e encaminhar-se para depositar sua ficha no 17, seu número predileto. Que poderia ele fazer com uma saudade roxa, logo estaria murcha e fanada, nenhuma roleta a aceitaria.
Seu Vivaldo não se demorou; carnavalesco obstinado, só abrira a funerária naquele domingo de festa para atender a um amigo como Vadinho. Fosse outro o defunto, e se arranjasse como pudesse, não iria ele, Vivaldo, perturbar seu arnaval.
[...]
Os importantes recordaram Vadinho entre risos, suas histórias cheias de picardia e de malícia, seus golpes divertidos, suas trampolinagens atrevidas, suas atrapalhações e confusões, e seu bom coração, sua gentileza, sua graça inconseqüente. Também os vizinhos assim o relembravam: boêmio sem horário e sem limites. Uns e outros ampliavam a realidade, inventavam detalhes, atribuíam-lhe casos e aventuras, a lenda de Vadinho começava a nascer ali junto de seu corpo, quase na hora mesmo de sua morte. O citado doutor Giovanni Guimarães imaginava pedaços inteiros de histórias, floreava os acontecidos, era chegado a uma mentirazinha bem apoiada em datas e locais precisos:
- Um dia, há quatro anos passados, no mês de março, encontrei Vadinho na casa de Três Duques, jogando no 17. Estava vestido com uma capa de borracha, por baixo não tinha roupa nenhuma, nuzinho. Botara tudo no prego, empenhara calça e paletó, camisa e cueca, para poder jogar. Ramiro, aquele espanhol canguinha do Setenta e Sete, só queria ceitar a calça e o paletó, que diabo iria fazer com uma camisa de colarinho puído, uma velha cueca, uma gravata vagabunda? Mas Vadinho lhe impingiu até o par de meias, guardou apenas os sapatos. E tinha tanto mel na língua que conseguiu que Ramiro, aquela fera que vocês conhecem, lhe emprestasse uma capa de borracha quase nova pois não ia sair nu, rua a fora, em direção à casa de Três Duques...
     - E ganhou? - queria saber o jovem Artur, filho de seu Sampaio e de Dona Norma, ginasiano e admirador de Vadinho, a ouvir boquiaberto o relato do jornalista.      Doutor Giovanni olhou o moço, fez uma pausa, sorriu com o rosto todo:
     - Qual o quê... Pela madrugada perdeu a capa do espanhol no 17 e foi trazido para casa embrulhado nas folhas de um jornal... – o sorriso transformava-se num riso sonoro, contagioso, ninguém igual a doutor Giovanni para animar uma sentinela.
E como naquele momento entrasse na sala o inumerável Robato, o jornalista acrescentou a prova final, as palavras ainda molhadas do riso:
     - Está aí quem não me deixa mentir... Você ainda se lembra, Robato, daquela noite em que Vadinho foi nu para casa, enrolado num jornal?
     Robato não era homem de vacilar: circundou o olhar em torno, examinando o grupo acomodado num canto da sala de jantar; temeroso de  ouvidos femininos e indiscretos, não fossem chegar à desolada viúva tais recordações; mas vacilar não vacilou, não era de recusar desafios, tinha o repente fácil, pegou a deixa no ar:
     - Nu, enrolado num jornal? Ora, se me recordo... - pigarreou para aclarar a voz barroca e desatar a imaginação - Pois se a gazeta era minha... Foi no castelo de Eunice Um Dente Só; além de nós dois e de Vadinho, me lembro de Carlinhos Mascarenhas, de Jenner e de Viriato Tanajura... A gente tinha bebido a noite inteira, um pifa sem medida...
[...]
Sucediam-se as histórias enquanto Dona Norma, Dona Gisa, a casadoira Regina, outras moças e senhoras, serviam cafezinho com bolos, cálices de cachaça e de licor de frutas. A vizinhança providenciara para que nada faltasse ao Velório.
Os importantes, sentados na sala de jantar, no  corredor, na porta da rua, relembravam
Vadinho entre anedotas e risos. Os outros, os parceiros de jogo e de malandragem, recordavam-no em silêncio, sérios e comovidos, demoravam na sala de visitas, de pé, ao lado do corpo. Ao entrar, paravam ante Dona Flor, apertavam-lhe a mão, encabulados, como se fossem responsáveis pelos maus feitos de Vadinho. Muitos deles não a conheciam sequer, nunca a tinham visto, mas de tanto ouvirem falar nela, sabiam como por vezes Vadinho  tomava-lhe até o dinheiro das despesas para jogá-lo no Pálace, no Tabaris, no Abaixadinho, no antro de Zezé Meningite, no de Abílio Moqueca, nas múltiplas roletas ilegais da cidade, inclusive na mal afamada casa de tavolagem do negro Paranaguá Ventura, onde por princípio só o banqueiro devia ganhar.
[...]
  Vieram também às alunas de Dona Flor, quase todas. Alunas e ex-alunas, unânimes no desejo de consolar a estimada e competente professora, tão boazinha, coitada! De três em três meses, sucediam-se às turmas nos cursos de culinária geral (pela manhã) e de culinária baiana (pela tarde), formavam-se em forno e fogão. Com diploma impresso e quadro de formatura exposto em loja da Avenida Sete, desde uma turma antiga, à qual pertencera Dona Oscar linda, enfermeira de categoria, funcionária do Hospital Português, esbelta e esporreteada, doida por um enredo. Exigira diploma e quadro, movimentara as colegas, fizera uma agitação dos demônios, recolhera contribuições, arranjara desenhista de graça, pintara o sete, a enxerida.
[...]
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  No outro dia, as dez da manhã, saiu o enterro, com grande acompanhamento. Não havia bloco  nem rancho naquela manhã de segunda-feira de carnaval capaz de comparar-se em importância e animação com o funeral de Vadinho. Nem de longe.
    - Espie... pelo menos espie pela janela... - disse Dona Norma a Zé Sampaio, desistindo de arrastá-lo ao cemitério -... espie e veja o que é o enterro de um homem que sabia cultivar suas relações, não era um bicho do mato como você... Era um capadócio, um jogador, um viciado, sem eira nem beira, e, entretanto, veja... Quanta gente e quanta gente boa... E isso num dia de carnaval... Você, seu Sampaio, quando morrer não vai ter nem quem segure a alça do caixão...
Zé Sampaio não respondeu nem olhou pela janela. Metido num pijama velho, na cama, com os jornais da véspera, apenas gemeu um fraco gemido e meteu o dedo grande na boca. Era um doente imaginário, tinha um medo desatinado da morte, horror de visitas a hospitais, de sentinelas e enterros, e naquele momento encontrava-se à beira do enfarte. Assim vinha desde a véspera, desde que a esposa lhe informara ter o coração de Vadinho estourado de repente. Passara uma noite de cão a esperar a explosão das coronárias, rolando na cama em suores frios, a mão comprimindo o peito esquerdo.
    Dona Norma, colocando sobre a cabeça de formosos cabelos castanhos um xale negro, apropriado para a ocasião, completou, impiedosa:
    - Eu, se não tiver pelo menos quinhentas pessoas em meu enterro, vou me considerar uma fracassada na vida. De quinhentas para cima...
     Partindo desse princípio, Vadinho devia considerar-se plenamente vitorioso e realizado. Pois meia Bahia viera a seu funeral e até o negro Paranaguá Ventura abandonara seu soturno covil e ali estava, o terno branco brilhando de espermacete, gravata negra e negro laço na manga esquerda, rosas vermelhas na mão. Preparava-se para segurar uma alça do caixão e, ao dar os pêsames a Dona Flor, resumiu o pensar de todos na mais breve e bela oração fúnebre de Vadinho:
     - Era um porreta!
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Da outra cena - de GABRIELA, CRAVO E CANELA - temos um vídeo:
 A cena é a da declaração de greve das meninas do Bataclan

O gente,   
    temos aqui um dos nomes mais representativos da literatura brasileira:                                                                                                                                       Jorge Amado.                              
                                                     



Como combinamos, a seguir serão apresentados textos de suas obras para que vocês comecem a curtir.


Antes, porém um pouco da vida do autor:   



Filho de João Amado de Faria e de D. Eulália Leal, Jorge Amado de Faria nasceu no dia 10 de agosto de 1912, na fazenda Auricídia, em Ferradas, distrito de Itabuna - Bahia. O casal teve mais três filhos: Jofre (1915), Joelson (1920) e James (1922).


Com apenas dez meses, vê seu pai ser ferido numa tocaia dentro de sua própria fazenda. No ano seguinte uma epidemia de varíola obriga a família a deixar a fazenda e se estabelecer em Ilhéus. Em 1917 a família muda-se para a Fazenda Taranga, em Itajuípe, onde seu pai volta à lida na lavoura de cacau.


Em 1918, já alfabetizado por sua mãe, Jorge retorna a Ilhéus e passa a freqüentar a escola de D. Guilhermina, professora que não hesitava usar a palmatória e impor outros castigos a seus alunos. No ano de 1922 cria um jornalzinho, "A Luneta", que é distribuído para vizinhos e parentes. Nessa época vai estudar em Salvador, em regime de internato, no Colégio Antonio Vieira, de padres jesuítas. 


A bela redação que apresentou ao padre Luiz Gonzaga Cabral, com o título de "O Mar", lhe rende elogios e faz com que o religioso passe a lhe emprestar livros de autores portugueses e de outras partes do mundo. Dois anos depois, seu pai vai levá-lo até o colégio após as férias. Despedem-se e Jorge, ao invés de entrar nele, foge. Viaja por dois meses até chegar à casa de seu avô paterno, José Amado, em Itaporanga, no Sergipe. A pedido de seu pai, seu tio Álvaro o leva de volta para a fazenda em Itajuípe. 
[...]
Participa, em janeiro de 1945, na condição de chefe da delegação baiana, do I Congresso de Escritores, em São Paulo. O encontro termina com uma manifestação contra o Estado Novo. Jorge é preso por um breve período juntamente com Caio Prado Jr. O Barão de Itararé apresenta o romancista a Zélia Gattai na Boate Bambu, durante jantar em homenagem aos participantes do Congresso de Escritores. Passa a viver em São Paulo, onde chefia a redação do jornal Hoje, do Partido Comunista Brasileiro. Escreve também na Folha da Manhã. Torna-se secretário do Instituto Cultural Brasil-URSS, cujo diretor era Monteiro Lobato. Sai no Brasil "A vida de Luís Carlos Prestes", rebatizado de "O cavaleiro da esperança". Em julho, passa a viver com Zélia. No mesmo mês participa, ao lado do poeta chileno Pablo Neruda (que em 1971 ganharia o Nobel de Literatura), do comício de Luís Carlos Prestes no Estádio do Pacaembu, em São Paulo. Lança "Bahia de Todos os Santos". É eleito, com 15.315 votos, deputado federal pelo PCB. Publica o conto "História de carnaval" na revista O Cruzeiro. "Terras do sem fim" sai pela respeitada editora A. Knopf, de Nova York.
[...]
No dia 21 de junho de 2001, Jorge Amado é internado com uma crise de hiperglicemia e tem uma fibrilação cardíaca. Após alguns dias, retorna à sua casa, porém, em 06 de agosto volta a se sentir mal e falece na cidade de Salvador às 19,30 horas. A seu pedido, seu corpo foi cremado e suas cinzas foram espalhadas em torno de uma mangueira em sua residência no Rio Vermelho.

sábado, 2 de junho de 2012

REGÊNCIA NOMINAL E VERBAL





Regência Nominal é a relação entre um substantivo, adjetivo ou advérbio transitivo e seu respectivo complemento nominal. Essa relação é intermediada por uma preposição.
exemplos: 
 - alheio a, de                                             - liberal com
- ambicioso de                                           - apto a, para       
- análogo a                                                 - grato a 
- bacharel em                                            - indeciso em 
- capacidade de, para                              - natural de
- contemporâneo a, de                            -  nocivo a
- contíguo a                                               - paralelo a 
- curioso a, de                                           - propício a
- falto de                                                     - sensível a 
- incompatível com                                  - próximo a, de
- inepto para                                              - satisfeito com, de, em, por 
- misericordioso com, para com             - suspeito de 
- preferível a                                               - longe de 
- propenso a, para                                   - perto de 
- hábil em  





Sintaxe de regência. Responsável pelo estudo das relações de dependência que se estabelecem entre os termos da oração ou entre as orações no período.


Regência verbal.  quando um dos termos envolvidos é um VERBO.
Ex. : 
Aspiramos a fragrância agradável do perfume.
Há muito aspiramos a este disputado cargo na empresa.

Nos exemplos, temos o termo regente – demarcado pelo próprio verbo; e o termo regido – representado pelo complemento. 


Na REGÊNCIA VERBAL está em jogo a transitividade verbal, isto é, o verbo ser intransitivo (não exigindo complemento) transitivo direto (exigindo complemento SEM preposição),transitivo indireto (exigindo complemento preposicionado) ou transitivo direto e indireto( pedindo ambos os complementos).

No primeiro exemplo, o sentido do verbo em questão faz referência ao ato de “sorver, cheirar”. Quem cheira(aspira), cheira ALGO, nesse caso o verbo exerce função de  de transitivo direto. 

No segundo exemplo há o emprego da preposição, o sentido diz respeito ao ato de “almejar, pretender a algo”, pois quem deseja/aspira A algo (sendo o"A" uma preposição) o que torna o verbo,  transitivo indireto.

                                                    Verbos intransitivos
Representam aqueles verbos que por si só possuem sentido completo. 


                              Regência verbal de alguns verbos


Agradecer
a) Transitivo direto – Ocorre quando o complemento faz referência a um ser não personificado:
Agradeceu a atenção.
b) Transitivo indireto – Manifesta-se quando o complemento diz respeito a um ser personificado:
Agradeceu aos ouvintes.
c) Transitivo direto e indireto – Assim se caracteriza quando se refere a coisas e a pessoas ao mesmo tempo:
Agradeceu a atenção aos ouvintes.
Ajudar
a) Quando seguido de um infinitivo transitivo, precedido da preposição “a”, tanto pode ser transitivo direto quanto indireto:
Ajudou o aluno a realizar a pesquisa. 
Ajudou ao aluno a realizar a pesquisa.
b) No caso de o infinitivo preposicionado ser intransitivo, ocupa apenas a função de transitivo direto:
Ajudaram a multidão a entrar.
Aqui temos o infinitivo preposicionado funcionando como intransitivo.
c) Caso não esteja seguido de infinitivo, geralmente ocupa a função de objeto direto, somente:  Ajudei-a muito hoje.
Ansiar
a) Transitivo direto – Assim se classifica quando o sentido fizer referência a “angustiar, provocar mal-estar”:  A demora ansiava-o.
b) Transitivo indireto – Ocupa tal posição quando o sentido se referir a “desejar”, sempre regido pela preposição “por”:    Ansiava por uma proposta melhor de emprego.  


Aspirar
a) Na qualidade de transitivo direto revela o sentido de “cheirar, sorver”:
Aspiramos a fragrância agradável do perfume.
b) Ocupando a função de transitivo indireto retrata o sentido referente a “desejar, pretender”:
Há muito aspiramos a este disputado cargo na empresa.   


Assistir
a) Transitivo direto ou indireto – Tais posições se manifestam quando o sentido fizer referência a “prestar socorro, dar assistência”:
O médico assistiu o paciente.
O médico assistiu ao paciente.
b) Transitivo indireto – Assim se manifesta quando o sentido se referir a “presenciar, estar presente”:
Assistimos à queima de fogos.
c) Transitivo indireto – Tal posição é ocupada quando o sentido fizer referência a “favorecer, pertencer”:
O direito de reclamação assistia aos clientes.


Casar
a) Intransitivo – Quando por si só apresentar sentido completo.
Eles casaram (ou se casaram – na qualidade de pronome reflexivo) na Europa.
b) Transitivo indireto – Quando requisitar um complemento, sendo este regido pelo uso da preposição:   Eles se casou com a melhor amiga.
c) Transitivo direto e indireto – Ocorre quando requisitar dois tipos de complemento: um sem preposição e outro acompanhado dela:
O vizinho casou sua filha com meu primo.


Chamar
a) Transitivo direto – Quando a ideia se referir a “invocar, convocar”:
Chamou-o para jantar.    
b) Transitivo direto e indireto – Assim se revela quando o sentido fizer referência ao ato de “tachar, apelidar, denominar”. Assim sendo, admite quatro possibilidades de construção:
Chamei-a interesseira.
Chamei-lhe interesseira.  
Chamei-a de interesseira.
Chamei-lhe de interesseira.


Esforçar-se
No sentido de fazer esforço por alguma coisa é essencialmente pronominal. É regido pelas preposições “em”, “a”, “por” e “para”:
Em vão nos esforçávamos para dar o melhor.
Esforçava-me em sentir pena dele.


Esquecer
a) Transitivo direto: Esqueci os fatos ocorridos.
b) Transitivo indireto: Esqueci-me dos fatos ocorridos. 
Nesse caso, como o verbo assume a condição de pronominal, será sempre transitivo indireto.


Implicar
a) Transitivo direto – No sentido de “acarretar, envolver”:
As despesas extras implicam gastos desnecessários.
b) Transitivo indireto – Fazendo referência a “ter implicância”:
Os alunos implicaram com o professor.
c) Transitivo direto e indireto – Retratando a ideia referente a “comprometer-se, envolver-se”:
Ela implicou-se em atos ilícitos.


Informar
a) Assume a posição de transitivo direto e indireto, partindo de dois aspectos básicos:
Quando fizer referência à pessoa, funciona como objeto direto; e quando fizer referência à coisa atua como objeto indireto, regendo as preposições “de” ou “sobre”:
Informaram o paciente da cirurgia que iria fazer. 
ou
Informaram o paciente sobre a cirurgia que iria fazer.
ou
Informaram ao paciente a cirurgia que iria fazer.  


Interessar-se
Na qualidade de verbo pronominal é sempre transitivo indireto, regido pelas preposições “em” e “por”:
Interessava-se nesta pesquisa.
Interessava-se por esta pesquisa.


Namorar
a) Intransitivo, quando fizer referência a “galantear, cortejar”: 
Comecei a namorar muito cedo.
b) Transitivo direto no sentido de “desejar ardentemente, galantear, cortejar”:
Pedro namora Beatriz há dois anos.  
Do lado de fora, namorava a vitrine de guloseimas.


Obedecer/desobedecer  Classificam-se como transitivos indiretos, regidos pela preposição “a”:
Devemos obedecer aos nossos pais.
Não devemos desobedecer aos sinais de trânsito.


Pagar
a) Transitivo direto quando o objeto fizer referência à coisa:   
Pagamos a dívida.
b) Transitivo indireto quando o objeto fizer referência à pessoa:
Pagamos aos credores.
c) Transitivo direto e indireto quando fizer referência a ambos os elementos ao mesmo tempo:  Pagamos a dívida aos credores.


Perdoar – Tal verbo se encontra submetido aos mesmos pressupostos do verbo pagar.
Preferir
a) Transitivo direto, quando o sentido se atém a “escolher, dar primazia a”:
Prefiro ficar em casa.
b) Transitivo direto e indireto quando o sentido se voltar para “decidir entre uma coisa e outra”:
Prefiro ficar em casa a sair.


Prevenir
a) Transitivo direto – Fazendo referência a “evitar dano”:
A precaução previne acontecimentos inesperados.
b) Transitivo direto e indireto – Referindo-se ao ato de avisar com antecedência.
Prevenimos os moradores de que haveria corte de energia.


Querer
a) Transitivo direto – Quando o sentido se ativer a “desejar, pretender”: 
O casal queria morar em São Paulo.
b) Transitivo indireto – Quando fizer referência a “amar, ter afeto”:
Queria muito bem a todos os seus amigos.


Simpatizar
Assume a posição de transitivo indireto, regido pela preposição “com”:
Não simpatizamos com os novos diretores.     
Observação importante:
O verbo antipatizar segue a mesma regência do verbo simpatizar.


Suceder
a) Intransitivo, no sentido de “acontecer, ocorrer”:
Os fatos sucederam rapidamente.
b) Transitivo indireto, quando a ideia estiver relacionada a “acontecer algo com alguém”, “vir depois, seguir-se”:
Não nos recordamos do que sucedeu a ela naquela noite. 


Visar
a) Transitivo direto no sentido de “dirigir o olhar para, apontar arma de fogo, pôr o sinal de visto em algo”:
O cliente visou o cheque.
A arma visava a cabeça do meliante.
Os convidados visavam a entrada da debutante.
b) Transitivo indireto, quando o sentido fizer referência a “pretender, objetivar, ter em vista”:  
Incansavelmente, visava ao aumento de salário.
As reformas visam à melhoria da infraestrutura.
Adaptado de : http://www.brasilescola.com/gramatica/regencia-nominal.htm

quarta-feira, 2 de maio de 2012

A concordância sumiu ou evoluiu? | Revista Língua Portuguesa


Um belo artigo. Vale a pena ler.


Retirado de: http://revistalingua.uol.com.br/textos/76/a-concordancia-sumiu-ou-evoluiu-250586-1.asp



A concordância sumiu ou evoluiu?

Há casos em que o sujeito se divorcia do predicado, e cada um escapa para um lado

Josué Machado


Um dos enganos mais frequentes dos que tentam se comunicar segundo o código da norma culta ocorre no campo da concordância verbal quando o predicado aparece antes do sujeito. Principalmente quando estão distantes um do outro, separados por um recheio qualquer. Então o predicado desliza para um lado, e o sujeito escorrega para outro em espetacular dissonância.

Claro que isso é muito mais frequente na expressão oral do que na escrita e há indícios de que já está incorporado à fala brasileira mesmo da elite culta. Mas ocorreu no texto de um editorialista em página nobre de jornal.

Sabe-se que os responsáveis por editoriais são jornalistas um tanto mais experientes do que a maioria dos iniciantes mal escolarizados e pouco rodados na vida e no jornalismo. No entanto, acontece e pode acontecer com qualquer pessoa que tenha de escrever depressa, sob a urgência ou não de um "fechamento", como se chama no jargão jornalístico o acabamento dado ao material antes que ele vá a público. Parece ter sido esse o caso registrado no seguinte trecho:

"A inflação tende a seguir suave e moderadamente em direção ao centro da meta - mais provavelmente no início de 2013 do que no fim de 2012. Está fora do horizonte da equipe as pressões que possam comprometer essa estratégia."

"Está fora do horizonte da equipe as pressões...", escreveu ele distraído ou sonolento, perturbado pelo complemento "fora do horizonte da equipe" (entre o predicado e o sujeito).

Distração Se a ordem fosse direta, jamais o escriba teria escorregado dizendo que o sujeito "pressões" "está" fora do horizonte da equipe. O que pode ter ocorrido para tão distraído escorregão?

Um corte de última hora para acertar o tamanho do texto, por exemplo. Talvez - apenas hipótese -, talvez ele tenha escrito inicialmente algo como "Está fora do horizonte da equipe otemor de pressões blá-blá-blá." Tendo de cortar algo, terá passado a foice no então sujeito "temor", deixando como saldo a antológica discordância "pressões está fora".

Daí a óbvia necessidade de ler e reler. De preferência, pedir a alguém que faça a leitura, porque em alguns momentos deixa-se de enxergar com clareza um ou outro detalhe do texto lido e relido.

Coisas da vida.
 
Falta de concordância pode ser o padrão oral brasileiro
A ausência de concordância em frases curtas muito recheadas por interrupções entre o sujeito e o predicado é um dos pontos gramaticais que unificam a fala de escolarizados a analfabetos brasileiros. Na expressão oral, a maioria lança o sujeito num número (plural/singular) que discorda do verbo que o complementa, quando ambos são separados por apostos e outras interpolações. Essa constatação se tornou uma evidência científica desde os anos 1970, quando foram iniciados o projeto Nurc (Norma Linguística Culta Urbana) e o Programa de Estudos sobre o Uso da Língua, reunindo os esforços de pesquisadores de universidades brasileiras. O Nurc permitiu a análise de mais de 1.500 horas de entrevistas gravadas em cinco capitais do país, e revela, entre outras coisas, que mesmo os brasileiros de nível universitário usam na fala variedades linguísticas em desacordo com o padrão do idioma. Os mais escolarizados têm sim maior cuidado com a concordância ao escrever, constatou o estudo. Ao falar, no entanto, a elite culta (que, afinal, representaria a base do padrão do idioma) já não age do mesmo modo e empata com o uso corriqueiro das variantes populares orais. (Luiz Costa Pereira Junior)

Nova regra?
Cometemos crime de lesa-língua quando dizemos "Passará o céu e a terra, mas minhas palavras não passarão", exemplo clássico das gramáticas? Sírio Possenti, nesta Língua, já questionou a formulação de que o verbo concorde só com o mais próximo elemento do sujeito composto, se posposto (após o verbo): "céu" e não "céu e terra". A concordância é fenômeno sintático, lembra o linguista da Unicamp. Só do ponto de vista semântico (ou pragmático) é que dizemos que o termo posposto (céu) é o sujeito. Mesmo quando o sujeito não é composto, o linguista notou a frequência com que se põe o sujeito posposto no plural e o verbo, no singular, como em "Já no 1o semestre, deveráter início as eliminatórias... (Folha de S. Paulo, 5/7/2002). Daí sugerir: "Talvez se possa propor uma regra parcialmente diferente da das gramáticas. O verbo não concordaria com o 1o nome do sujeito composto posposto. Simplesmente não concorda com nada. A razão? A posição típica de sujeito - antes do verbo - está vazia. É como se as orações não tivessem sujeito." A formulação da regra seria: "Quando não há sujeito, o verbo vai para a 3a pessoa do singular." É o mesmo caso do verbo sem sujeito de fato, o impessoal (Faz dez anos que saiu; Há bêbados aqui). Se Possenti estiver certo, o uso tem regularizado a concordância: ela estaria se tornando a mesma quando não há sujeito e quando só parece que não (com o sujeito fora de sua posição típica).


Josué Machado é jornalista, autor de Língua sem Vergonha (Civilização Brasileira, 2011)

ALGUNS EXERCÍCIOS

 Lindinhos, os exercícios a seguir deverão ser feitos no caderno
                                                             para gente poder discutir na aula.


 Explique o humor do cartum. Depois faça os exercícios:



1) Assinale a frase em que o verbo não obedece às normas da boa concordância:
a) Fomos nós quem primeiramente lecionamos esta matéria.
b) Fomos nós quem primeiramente lecionou esta matéria.
c) Fomos nós os que primeiramente lecionamos esta matéria.
d) Fomos nós que primeiramente lecionamos esta matéria.
e) Fomos nós que primeiramente lecionaram esta matéria.

2) Leia os períodos a seguir e assinale a opção correta:
1. Os Estados Unidos não só desenvolveu a indústria, mas também incentivou enormemente a agricultura.
2. A antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas fez um acordo comercial com o Brasil.
3. Quaisquer de vós seríeis barrados na fronteira.
4. Qualquer de vós seriam barrados na fronteira.
5. Os soldados bombeiros, estamos sempre de prontidão.
a) Apenas o período 1 está correto.
b) Apenas os períodos 1 e 3 estão incorretos.
c) Apenas os períodos 1 e 4 estão incorretos.
d) Apenas os períodos 1, 3 e 4 estão incorretos.
e) Nenhuma das opções anteriores.

3) Assinale a opção em que a frase não pode ser completada com o verbo indicado entre parênteses:
a) Três quintos da turma _______ à aula. (compareceram)
b) Cinqüenta e cinco por cento dos candidatos ________ classificação. (objetivaram)
c) Mais de um problema __________ sem solução. (ficou)
d) Já _________ cerca de duzentos executivos. (voltaram)
e) __________ duas horas para o início da prova. (faltava)

4) Assinale a alternativa correta:
a) Na sala haviam muitas crianças.
b) Podia haver vinte pessoas na sala.
c) Todos pareciam terem ficado zangados.
d) Eu o maltratei faziam duas semanas.
e) Fazem três meses que ela se casou.

5) Assinale a alternativa em que há erro.
a) Nunca tolerei as meio verdades.
b) Os espíritos conformes aceitam a dor.
c) Não há aula nos dias santos de guarda.
d) Aquelas foram as sós palavras de carinho que ouvi na vida.
e) Ele ficou toda a noite acordado.


CONCORDÂNCIA (1)


O que diz a regra
Josué Machado

Pode-se definir a
CONCORDÂNCIA como o processo pelo qual as palavras se harmonizam na frase por meio da mudança de terminações.

Significa que algumas palavras mudam de flexão para combinar com outras, a que se referem a ela ou de que dependem dela.

dois tipos de concordância:
verbal e nominal***.


1. Na
concordância verbal,*** o verbo se flexiona em número e pessoa (1ª, 2ª e 3ª, singular ou plural) com o sujeito***.

Portanto, a pessoa e o número do sujeito determinam a pessoa e o número do verbo***.
Eu votei; tu votaste;
Os alunos saíram; a casa caiu;
"A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou";
Que horas são? são onze horas; são 15 de setembro;
Aumentou aos poucos a confiança; mudou demais o mundo.


A propósito dos dois últimos exemplos, o verbo concorda com o sujeito, não importa a ordem em que apareçam na frase.

É o que ocorre também neste caso:
"Preocupam-me, nestes dias de inquietação política, os desdobramentos da crise."

No exemplo, o sujeito aparece em negrito, e o verbo, sublinhado. Fernando Collor de Mello, que agora brilha no Senado, escreveu frase semelhante num bilhete divulgado na época em que saiu correndo da presidência da República, em 1993, com o verbo no singular:

"Preocupa-me (...) os desdobramentos da crise".

Engano frequente quando o verbo surge antes do sujeito, quando há recheio entre os termos.

Determinantes
2. Na
concordância nominal***, as palavras que determinam ou qualificam*** o substantivo, ou dependem dele, se harmonizam com ele em gênero e número. São nomes determinantes, sujeitos à concordância (daí "concordância nominal"): adjetivo, artigo, numeral, pronome adjetivo e particípio***.

Nominal
O substantivo (em negrito, a seguir) é o regente, pois determina a concordância, e os adjetivos ou palavras que concordam com o substantivo são os regidos (sublinhados):

"O colérico supremo mandatário daquela república bananeira desculpa as muitas malfeitorias dos seus aliados políticos em nome da alegada governabilidade."

"Os políticos dessa simpática república promissora são respeitabilíssimos."
Outros exemplos de concordância nominal:
As mulheres sábias;
Os rápidos coelhos;
Os dois primeiros astronautas;
Estas fracas mãos;
Foram ditas todas as verdades;
Sorte cega, ventania cruel. 




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